Mensagem do Presidente

Dois anos depois de ter sido eleito líder da melhor organização política de juventude do distrito de Castelo Branco, o balanço não poderia ser melhor, ao lado de pessoas excecionais, que praticam a política como a arte de servir os outros em vez de servirem deles.

O nosso primeiro mandato foi um passo importante na concretização do ideal político que traçámos para a região: a afirmação de um projeto verdadeiramente social democrata. Fizemos o impossível e alcançámos o inalcançável. Se, em 2015, alguém me dissesse que conquistaríamos 50% do que conquistámos, eu afirmaria que tal seria quase impossível. Foram dois anos em que se efetivou uma mudança no panorama político-partidário; dois anos de trabalho e dedicação em nome das gentes do distrito, que resultaram numa quase duplicação do tamanho da estrutura, na reativação de duas Concelhias inativas, no ressurgimento dos Núcleos de Estudantes Social Democratas das duas instituições de ensino superior e, ainda, de um Núcleo Residencial em Alcains.

Colocámos na agenda política temas como as portagens na A23, a ação social e a reorganização da rede de ensino superior, a investigação científica, os perigos ambientais da Central Nuclear de Almaraz, a igualdade de género, o associativismo juvenil e participação sociopolítica, o futuro do projeto europeu e a reforma do sistema eleitoral. Por mais que uma vez, contribuímos para mudar o rumo da ação de Ministros em matérias cruciais. Estivemos na rua, nas escolas e mantivemos uma estreita colaboração com os dirigentes juvenis da região. Organizámos dezenas e dezenas de iniciativas por todo o distrito – uma dos quais perdurará na memória por largos anos – e levámos as nossas bandeiras até ao Parlamento Nacional e Europeu.

Têm sido tempos intensos, mas também muito gratificantes. Agora, consideramos ser hora de consolidar todo o paradigma meritocrático e abnegado que trouxemos à estrutura, transformando esta mudança de uma realidade conjuntural para uma certeza estrutural. Com a ambição de transformar a Interioridade numa Oportunidade, comprometemo-nos a inovar em matéria de pensamento, análise, discussão e produção de matéria política. Importa aproximar a política dos cidadãos, auscultar os seus problemas e defender novas bandeiras para o desenvolvimento do Interior. Foi por isso que lançámos o projeto político ‘Agora, o Interior!’, que visa a publicação de um livro de políticas de juventude e coesão territorial. Dividido por áreas temáticas, este projeto articula toda a estrutura: desde a Distrital, às Concelhias e aos NESD; desde o blog #AquiEntreNós, que contará com convidados para escreverem sobre as diferentes temáticas, à rubrica Politicamente Falando, aos vários Gabinetes que analisam os problemas e propõe medidas para a sua correção. Ao assumirmos as premissas de continuar a reativar estruturas no distrito e de fortalecer os nossos jovens autarcas, assumimos igualmente o objetivo de manter a JSD como a maior organização política de juventude da região e a única com implantação nas duas instituições de ensino superior do distrito.

É tempo de reafirmar a Beira Baixa e refletir sobre o Território, a Demografia e a Cidadania. É hora de agir na Educação, Emprego e Participação Cívica. A JSD deve ser o principal motor de construção do distrito que queremos ver daqui a 10 anos, combatendo as desigualdades sociais e territoriais e estudando uma melhor organização administrativa do território. Não faz sentido a perpetuação da ausência de uma estratégia de ordenamento do território e proteção civil, como não faz sentido um único distrito se encontrar dividido em três Comunidades Intermunicipais sem que a realidade social e demográfica o reflita. É tempo de propor medidas ativas de incentivo à natalidade e ao emprego jovem, colocando a inversão da balança demográfica negativa no topo das prioridades políticas do país, bem como de articular o meio académico com o local e empresarial. Se, como os estudos comprovam, o Ensino Superior é a principal ferramenta de combate à Interioridade, precisamos de um Governo que apoie mais as nossas Instituições. Não podemos continuar a ter a Universidade mais subfinanciada do país e a assistir passivamente à destruição do Programa +Superior, uma verdadeira medida de descriminação positiva para a captação de estudantes para o distrito.

Se queremos um futuro para o Interior, precisamos de uma população ativa e residente que garanta esse futuro. Numa época em que fazer parte de uma juventude partidária é mais cadastro do que currículo, não podemos permitir que sejam sempre os outros a decidir por nós. Temos que participar ativamente na construção de um futuro melhor. Por conseguinte, a principal prioridade da JSD da Beira Baixa deve ser a promoção de uma maior aproximação dos jovens face à ‘res publica’, fomentando a participação cívica nas mais diversas expressões do associativismo juvenil (organizações culturais, ambientais, estudantis, partidárias, escutistas, sindicalistas ou confessionais).

Acompanhado pela boa gente que aceitou trilhar este caminho comigo, apresentamo-nos com a mesma convicção que guiou a nossa ação política nos últimos anos: empreender uma nova forma de fazer política, com dedicação, abnegação, trabalho e isenção de interesses privados – porque, se for para o fazer de outra forma, nunca nos tornaremos na mudança que queremos ver no mundo.

Castelo Branco, 27.05.2017,

Hugo Ferrinho Lopes