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Educação promocional

Não é novidade nenhuma que cada vez mais, um dos objetivos do nosso governo, é o de proporcionar um sistema educativo acessível a todos, e bem. Desde as bolsas para alunos que querem continuar os seus estudos no ensino superior, aos manuais que “gratuitamente” são fornecidos aos alunos para os pais terem menos uma despesa em setembro, o que é sem dúvida alguma, algo fantástico. Entrou assim, de forma subtil, o conceito de gratuito.

Meus caros, eu acho que enquanto não houverem medidas estruturantes a nível do ensino; dos métodos de ensino; do dia-a-dia dos alunos na escolas e faculdades; e mudanças radicais (atenção a que esta parte seja lida de forma objetiva) não podemos dizer que estamos a tornar o ensino verdadeiramente acessível. O partido socialista e a maravilha que era a geringonça, tiveram sempre a ideia de “Vamos dar tudo, a todos”. Dando cumprimento aos seus ideais políticos e bem, aqui estamos todos no mesmo pé de igualdade. Ou pelo menos, deveríamos estar. Só que não. Decidiram oferecer manuais aos alunos de todas as escolas; é importante os alunos terem acesso aos livros independentemente do seu nível socioeconómico, o que torna assim mais fácil o combate ao abandono escolar. Começaram a oferecer mais cursos e mais formações a todas pessoas, para poder haver mais integração/inclusão social e uma maior ajuda no que toca às especificações para empregos. Decidiram diminuir o preço das propinas no ensino superior, uma diferença que ainda se faz sentir ao fim do ano, na carteira.

Viva a gerigonça! De facto, conseguimos aumentar o número de alunos inscritos nas escolas, conseguimos ter mais pessoas formadas e conseguimos manter um maior número de alunos nas faculdades. Deixámos de ter tantos obstáculos económicos para termos obstáculos de ordem menor. Continuamos a assistir, contudo às diferenças de certos pontos do país para outros. Ora, não é que eu pago propinas, todos os meses (menos julho e agosto) desde 2017, para ter acesso às aulas, ao material bibliográfico para as cadeiras, e ao mau acesso à internet? Pois é meus caros, vamos comparar algo aqui bem rapidinho. No ano em que eu entrei, um amigo meu que estava a acabar de se formar pela Universidade de Coimbra, em que pagava todos os meses 106€ para ter acesso a tudo o que lhe era devido, e NUNCA o ouvi queixar de dificuldades relativamente à internet. Fosse na FCTUC, fosse na FLUC, havia sempre um acesso particularmente bom. Agora passamos para a Universidade da Beira Interior, e deixamos de assistir a esse cenário. Eu pagava menos 3€ do que aquilo que o meu amigo pagava, ou seja, 103€, e era quase um milagre eu levar um computador para a faculdade ou para a biblioteca do meu polo (polo IV, Sineiro) e ter acesso à internet. Agora pago 87€ e parece que o acesso à internet piorou!! Vejam só, eu pagava mais e não tinha acesso decente, para passar a pagar menos e ter um acesso ainda pior, que só com rezas é que lá vamos. Como é que é possível haver tanta medida para ajudarmos os alunos do ensino superior (de ano para ano, assistimos a um facilitar no acesso e no ensino), para termos cada vez mais alunos nas faculdades (houve também a ótima ideia de abrir vagas especiais para alunos dos profissionais, que de facto se for para a frente, é uma ótima iniciativa, porque deixamos de ter desesperados com os exames sozinhos, para passamos a ter os desesperados com os exames a chorar junto com os desesperados com a média de final de curso) a terem que esperar pelo santo fim de semana em que vão a casa, para poderem finalmente ter internet acessível para trabalharem.

Estaremos a regressar ao tempo dos livros? A regressar ao tempo das corridas às bibliotecas à procura dos livros de que o professor fala no moodle? Bom, sempre ouvi dizer que ao menos são fontes mais credíveis para trabalharmos nos nossos trabalhos científicos.

Bom, parece que se calhar a geringonça sempre sabe o que está a fazer. Há sempre um novo rumo a seguir. Qual será a próxima grande inovação desta aliança política? Esperemos por novos capítulos, já que já se passou o período eleitoral.

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