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Representatividade que causa individualidade

Cada vez mais estamos numa era em que a “representação” social e política está em voga, seja esta por motivos humanísticos ou quaisquer outros relacionados, a verdade é que cada vez mais assistimos a uma atualização frequente de leis por todo o mundo, protestos e aclamação dos direitos de cada um ou de cada qual, e de facto, isto tem tido cada vez mais impacto na sociedade a nível político e não só. Por exemplo, cada vez mais há meses dedicados à visibilidade transsexual, visibilidade de pessoas incapacitadas, visibilidade ambiental e por aí fora, como forma de de facto demonstrarmos que viver em sociedade se está a tornar mais fácil devido ao facto de finalmente começarem a haver medidas e meios para que minorias e não só, sejam ouvidas.

Mas será que está a tornar-se assim tão fácil a vida em sociedade, ou estaremos a passar para exatamente o oposto daquilo que é pretendido? Não me refiro apenas às comunidades que cada vez mais se tornam inclusivas de novos indivíduos ou identidades criadas (aqui refiro como grande exemplo o caso da comunidade LGTBQ+, que na minha opinião está a tornar a aceitação de género cada vez mais complicada e intrusiva, mas mais à frente será possível o leitor perceber o porquê de eu afirmar isto) mas sim em especial, às políticas e partidos políticos que cada vez mais se formam e aliam. Um caso muito curioso de políticas inclusivas e de representatividade é o das cotas raciais que se falava que deveriam existir no Brasil, dada a quantidade de racismo existente no país em questão; no ano passado tive que estudar esta questão por causa de um trabalho que estava a fazer na altura e sei que a dada altura li um artigo de um jornalista (se não estou em erro) que colocava em causa a “inclusão” que estas cotas trariam, isto é, se ao criarmos cotas para determinadas raças, não estaríamos de certa forma a excluir outras ou a acentuar ainda mais o racismo?

Bom, decidi usar este pequeno exemplo para falar sobre a realidade política que cada vez mais se vive em Portugal. Parece que cada vez mais há novos partidos a formarem-se, com cada vez mais ideias inovadoras e falácias fantásticas que parecem representar e aliciar cada vez mais pessoas para se tornarem militantes. Caríssimo leitor, por favor não leve a mal e não pense que acho errado o facto de cada vez mais haver pessoas em política e cada vez mais haver a ideia de o povo ser ouvido… Não, não ponho isso em questão. Mas não estaremos cada vez mais ainda, a caminhar para uma individualização total da política? É que cada vez mais, o que noto que acontece é que seja partido de esquerda ou partido de direita, o que cada vez mais acontece é que como se diz no tão bem falado português, cada vez mais “cada um puxa a brasa à sua sardinha”, ou seja, cada um alicia da forma que melhor consegue, o eleitorado, de modo a conseguir cada vez mais militantes e de forma a cada vez mais haverem deputados aqui e ali. E não levem isto para o lado de que estou a defender a direita ou a esquerda, antes da criação da maioria dos novos partidos, já acontecia este fenómeno; o grande problema da criação e proliferação de novos partidos, é que cada vez mais há a propagação deste fenómeno. A política passa a ser sobre união para passar a ser sobre divisão, com a ideia de que uns sabem melhor que outros aquilo que é bom para o todo.

Será que é este o futuro que queremos para a política Portuguesa?

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