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António Costa e a mulher de César

Longe está este artigo de poder integrar qualquer coluna de uma revista cor-de-rosa. Na verdade, continuar a falar do familygate que assola o Governo português já passou de anedota a anestesia. E, infelizmente, parece que já ninguém quer saber a diferença entre “cumprimos” e “com primos”.

Na verdade, pretendo desnudar a verdade por trás da riqueza que António Costa diz gerar em Portugal à conta de cada um de nós.

Diz-nos a Lei que o Estado é uma pessoa de bem. Que não é caloteiro (atrasa-se!). Poderá um comum empresário tentar equiparar-se? Todos sabemos quais são as consequências para um qualquer privado quando se atrasa ou simplesmente não paga algo ao Estado.

O Estado caótico a que está entregue a Saúde em Portugal é um exemplo crasso disso mesmo: não temos só falta de médicos, de enfermeiros, de analistas, de outro tipo de profissionais – situação que o Governo parece poder resolver por magia. Temos falta de material cirúrgico, de medicamentos! E isto diz-nos algo muito claro: os fornecedores não só já não confiam no Estado para garantir fornecimentos – os fornecedores estão com a corda ao pescoço novamente (e literalmente!). Mas sobre os privados que andam a servir de alavanca financeira ao Estado, sobre esses, parece recair um sórdido desprezo.

A situação muda de figura, lá está, quando do outro lado da conta corrente, esses fornecedores têm de pagar TSU, IVA, IRC, entre outras prestações. Aí já não estão associados à “pessoa de bem” que o Estado é. Aí já não são protegidos como protegem o Estado da falência dos seus serviços. Aí não há encontro de contas que lhes valha! Os atrasos do Estado também se traduzem em destruição de postos de trabalho e em falências de empresas. Mas, sobre isso, nem uma vírgula.

Seria um gosto para mim ver um cobrador atrás de António Costa pelas ruas de Lisboa. Colado a ele em show-offs nos transportes públicos. A bafejar-lhe a nuca e a repetir-lhe incessantemente “Paga o que deves!”. Encher-lhe a caixa de correio com avisos de cobrança. Penhorar-lhe o carro – que, vejam bem, nem é dele! Porque é ele claramente especialista em gerir mal o dinheiro que é de todos mas sobre ele nunca recaem problemas.

É que o Estado tem de ser mesmo como a mulher de César, não pode ser apenas sério, também tem de parecer. E o nosso grande problema é que nem é sério nem faz questão!

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