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Politicos Católicos? O quê? Quando? E onde?

Não desejo com este artigo influenciar o leitor, nem voltar a trazer à discussão Deus ou César. Quero simplesmente tentar esclarecer e entender de que forma um católico pode e deve agir no meio político, de forma a influenciar as decisões tomadas num Estado laico, de forma a respeitar a Doutrina Social da Igreja na qual crê.

Foi “o Estado laico e liberal” que se lançou na “construção de impérios coloniais” e não dispensou para isso a colaboração “das instituições religiosas que repudiou nas metrópoles” como nos lembra Adriano Moreira. Muitos esquecem o papel da Igreja Católica e o seu contributo na construção da matriz europeia, e declaram o fim das religiões e uma laicidade totalizante. Vivemos num mundo inseguro onde as democracias estão em nítido retrocesso. Segundo o The Economist o índice de Democracia em 2016 só apresentava 19 democracias completas, numero bastante inferior, perante as 51 de regimes autoritários, 40 de regimes híbridos e 57 democracias incompletas. Um mundo onde os populismos estão em crescendo, uma situação que merece preocupação a nível interno e sobretudo externo. O multilateralismo que se quer construir assenta, no mínimo, num pilar populista e quer de esquerda ou de direita, todos os populismos têm a mesma intenção, a de se servirem do povo para alcançar a hegemonia. Devemos ter em atenção a este perigo já presente em vários países da União Europeia, como em Portugal no qual três partidos populistas servem de base ao governo socialista.

A Igreja tem tentado adaptar-se sempre ao mundo que a rodeia, um mundo dominado por uma espécie de Teologia mercantil que coloca o dinheiro como fim último do Homem. Uma das respostas da Igreja a este problema foi em 1881 a publicação da encíclica Rerum Novarum, como base da Doutrina Social da Igreja. Em 1848 tinha sido publicado o Manifesto Comunista de Marx e Engels onde apontavam ao proletariado uma via que excluía completamente a participação da Igreja. O Papa nunca colocou em dúvida o papel que a Igreja teria de assumir, já em 1888 Leão XIII incitava: “ os católicos a participarem na vida pública, ainda que o aparelho do Poder professe uma filosofia contrária aos ideais cristãos”. A Igreja católica não é de esquerda ou de direita, a escolha cabe a cada católico que decide em seu nome sobre a sua filiação ou simpatia. Deve ser uma opção livre, mas não na totalidade, a opção deve ser condicionada pelos princípios e valores, há que respeitar os fundamentos da Igreja.

Na impossibilidade de um católico, a título particular resolver todos os problemas do mundo, deve contribuir para minimizar o sofrimento a que tantas vezes se arredam todos os outros. Então um “Católico Politico” tem a obrigação de intervir, a nível individual e também a nível colectivo, na família, na vizinhança, na cidade e na sua nação. Tem o dever de resistir à acomodação, assumindo como base para a sua intervenção a Doutrina Social da Igreja. Ser católico exige actos! Ser católico é uma escolha que deve ser consciente, e obriga a um exercício diário de cidadania.

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