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UBI, a universidade “Bem de ânimo, mas mal de orçamento”

A Universidade da Beira Interior é um exemplo paradigmático de como uma instituição de ensino superior pode contribui tanto para a revitalização do interior profundo do nosso país e, mesmo assim, ser repetidamente estrangulada financeiramente pela falta de vontade política em rever uma fórmula de financiamento obsoleta que sistematicamente cava um enorme fosso entre o litoral e o Interior do País.

A UBI é a maior instituição de ensino superior do interior do país constituindo, por isso, uma valiosa ferramenta de coesão territorial. Desde a sua fundação que a universidade tem contribuído para atenuar as assimetrias entre o litoral e o Interior do país. Inúmeros são os exemplos deste trabalho, dos quais destaco: a contribuição para a requalificação de património de elevado valor histórico, cultural e arquitetónico que hoje é parte integrante das infraestruturas da universidade; a fixação de pessoas na cidade da Covilhã quer através da criação de postos de trabalho diretos como também através dos seus estudantes que optam por permanecer na “cidade neve” após a conclusão dos estudos (é importante salientar que cerca de 85% dos estudantes nacionais estudam na UBI são de outras regiões do país, excluindo os estudantes internacionais); a atração de investimento público e privado para a cidade da Covilhã; a divulgação que faz do interior do país em termos de qualidade de ensino, produção científica, inovação e empreendedorismo; a transformação da cidade da Covilhã numa cidade campus, com toda a inovação que isso acarreta. Para além de todo este impacto socioeconómico positivo, a nossa academia dá sinais bastante claros de querer atingir um novo patamar de excelência e assumir-se cada vez mais como uma referência a nível nacional e internacional. Os números falam por si: hove um aumento das vagas do concurso nacional de acesso de 1245 em 2017/2018 para 1307 em 2018/2019; a oferta formativa sofreu a introdução de duas novas licenciaturas nos últimos dois anos para responder às necessidades do tecido empresarial; temos cerca de 7500 alunos inscritos; a existência de uma aposta forte na internacionalização como é prova os 1470 estudantes estrangeiros inscritos e estamos pelo terceiro ano consecutivo entre as 200 melhores universidades jovens do mundo. Tudo isto é fruto do trabalho meritório que toda a comunidade académica tem desenvolvido ao longo dos anos. No entanto, se o sucesso da UBI parece estar em crescendo, o apoio que a mesma recebe por parte do estado estagnou desde há alguns anos a esta data. Para quem conhece a realidade da UBI saberá, certamente, o subfinanciamento crónico que a assombra. Infelizmente, o país ficou a conhecer essa realidade em 2017 quando, por impossibilidade de atingir um equilíbrio financeiro para elaborar o orçamento para o ano seguinte, não foi possível fechar o mesmo. O nosso reitor, quando questionado acerca do estado da nossa universidade, costuma responder “Bem de ânimo mas mal de orçamento”. A imagem 1 (que se encontra abaixo deste texto) retrata esta situação e foi retirada do Plano de Atividade e Orçamento de 2019 da Universidade da Beira Interior. É incompreensível que, tendo em conta o aumento das despesas da universidade devido a reposições salariais impostas por lei, despesas de representação e despesas correntes, o valor alocado à nossa universidade em sede de orçamento de estado, não tenha sofrido qualquer alteração de relevo nos últimos anos. Numa altura em que se fala tanto de coesão territorial e descentralização, é inconcebível que o financiamento por aluno na nossa universidade seja cerca de 400 euros inferior a um aluno que estude numa universidade do Porto ou de Lisboa. É risível como se reduz levianamente o valor das propinas para o ano letivo de 2019/2020 sem contemplar um mecanismo de compensação financeira para a universidade obrigando a instituição a gastar capitais próprios e deteriorando a sua situação económica. É esta a revoltante realidade com a qual a comunidade ubiana se debate diariamente. Perante este cenário, só com um forte espírito de união, capacidade de resiliência e uma gestão hercúlea de dinheiro é possível alcançar tanto sucesso com tão pouco apoio. É frustante, ano após ano, estarmos sempre a passar pela mesma situação. Por tudo o que conquistamos enquanto comunidade académica ao longo da nossa história, merecemos mais respeito É urgente a revisão da fórmula de financiamento das universidades e de um apoio às mesmas que substitua o buraco orçamental criado pela redução das propinas!

Em pleno 2019, numa altura em que estão em voga as políticas de coesão territorial é absolutamente inadmissível que uma Universidade do Interior do país que tem provas dadas de todo o seu mérito seja obrigada a sobreviver com estas condições! Até agora vamos resistindo… mas a médio e longo prazo, se a situação assim se mantiver, poderemos assistir a uma degradação da qualidade do ensino e da investigação que se fazem na nossa universidade e de nada interessará o caminho que com tanto esforço e sacrifício trilhamos até aqui. A solução? É simples: Haja vontade política para corrigir esta injustiça!

 

 

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