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A Fornalha Política

Num tão quente mês como o que está a ser o julho deste ano, tão repleto de incêndios por alguns dos concelhos do nosso caro distrito, parece que aquilo que está em chamas não é só as matas e florestas, como também a política deste país, no momento.

Ora, se por um lado temos um líder partidário a acusar um partido de plágio de ideias e de propostas, por outro o SNS que já esteve mais longe de colapsar do que está agora, um mar de protestos e de greves, acusações e afins, temos por outro, aqueles pequenos gestos que pelos vistos toda a gente sabe que existem e que quem não o devia fazer, faz, aqueles que na prática dizemos “Desta água não beberei” mas que acabamos por beber sempre, etc.

Bom, por ver a atualidade política cada vez mais ao rubro e em altas, é que decido falar sobre estas inquietações que se me apresentam aos poucos, diante dos meus olhos. Onde, digam-me vocês caros leitores, é que nós podemos dizer que sim, consentir e ainda apoiar, quando os nossos superiores hierárquicos se aproveitam dos fundos monetários dos seus contribuintes, para pagar um jantar aqui e ali? Quando se aproveitam destes mesmos fundos para se calhar poderem pagar o jantar de “migas” e conhecidas amantes? Esperem se calhar não é este caso que mais me choca, acho que o que mais me choca, é o facto de N pessoas saberem destes feitos, mas continuarem a votar nestes mesmos superiores hierárquicos porque se calhar lhes passam a mão pelo pêlo e dizem “Prometo neste mandato, fazer o que não consegui fazer no último” (que quando se vai ver, é o que não se fez num mandato de à uns bons anos atrás). COMO é que é possível nós simplesmente sabermos destes crimes públicos e consentir que sim? Dizer amém ao padre? Se calhar ainda não é o suficiente. Não sei.

Será melhor o nós sabermos que a economia se calhar não está como demonstram estar, sabermos que o nosso SNS está nas ruas da amargura (e não é preciso irmos muito longe e falar nas grandes cidades em que se falaram em “fechar para férias” maternidades, mas a nossa ministra tem razão e nós é que não sabemos ler notícias em ordem, ora bolas; basta olhar para os nossos pequenos meios, em que a grande maioria da população é idosa e perceber que só há UM único médico para mais de 20 pessoas, e que só em certos dias da semana é que há 8 lugares para emergências), será melhor nós sabermos que os nossos superiores (não precisam de ser presidentes de Câmara ou de Junta) de vez em quando puxam alguns cordelinhos e conseguem que a filha deste ou daquele conhecido, entre para um cargo em que tem que haver entrevistas, mas que como é para a tal conhecida, são feitas à porta fechada, ora claro. Será melhor sabermos que Portugal mantém uma péssima posição no ranking de países corruptos? Será melhor nós sabermos que para fulano tal a justiça já é cega por causa dos 0 na sua conta (à direta do primeiro algarismo, calma) mas não para se calhar um sujeito que venha de um bairro social? Esperem, se calhar é ainda melhor, sabermos que certos indivíduos só recebem certos subsídios porque se não o fizermos, ainda somos racistas? Mas esperem… Nós somos racistas por os vermos ir jantar fora aqui e ali, por os vermos gastar do dinheiro que NÓS enquanto contribuintes damos, por os vermos usufruir de privilégios que outros numa situação monetária pior que a deles não usufruiriam, por os vermos ser mal educados com pessoas que detenham um lugar ou posto acima deles e não podermos dizer nem AI nem UI?

Pois bem, se sou só eu que vejo isso e insisto em não fechar os olhos, se calhar só a mim é que esta fornalha já anda a aquecer a tempo de mais calada.

 

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