Blog

Situacionismo ou insubmissão

Atribui-se ao Einstein a frase de que insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Se a memória não me atraiçoa, no distrito de Castelo Branco o PSD já governou em simultâneo 9 câmaras municipais e já fomos poder em todos os municípios.

Pouco a pouco fomos perdendo eleitores e câmaras, foram-se desfazendo as estruturas, foi decaindo a militância.

No passado já tivemos ao mesmo tempo no distrito 9 presidentes de câmara, várias dezenas de vereadores, centenas de eleitos de freguesia. Elegemos várias vezes três deputados quando o distrito ainda candidatava cinco.

Havia cargos políticos e oportunidades para os jovens e para os menos jovens, tínhamos força na sociedade civil, muitos cidadãos anónimos orgulhavam-se e assumiam publicamente “sou do PSD”.

Nas últimas eleições europeias o PS teve no distrito 39,1% e o PSD 21,48%, pouco mais de metade.

Porquê, é a pergunta que todos nos devemos fazer, pois existirão seguramente razões para isso.

A mudança pode acontecer por acaso, é certo, mas normalmente isso acontece em razão de uma ação  planeada e premeditada.

Perceber a dinâmica das mudanças é uma necessidade que hoje se nos impõe mais do que nunca. Viver atualizado é hoje uma condição essencial ao sucesso, exigindo estes tempos novos uma nova postura, sobretudo uma nova forma de pensar.

Num distrito cada vez mais despovoado, numa região das mais pobres da Europa, é por demais evidente que há toda uma forma de estar e de viver que se extingue e outra que começa, diferente.

Costumando as pessoas lidar com a mudança de maneira defensiva, sobretudo os pequenos e os grandes poderes instalados (veja-se o que o PS tem vindo a fazer), com temor ou até rejeição muitas das vezes, sobretudo para os jovens tem de ser evidente que este imobilismo corrói de forma marcante o atual modelo social e condiciona o nosso futuro coletivo.

Vindo o problema há muito a ser identificado, ouvem-se e já foram aplicada receitas para quase todos os gostos.

Mudar as caras, credibilizarmo-nos com a experiência junto do eleitorado, dar lugar aos mais jovens, ser mais acutilantes no discurso ou mudá-lo, não falar a “torto e a direito” ou estar sempre a fazê-lo, sobre tudo ou mais alguma coisa. Do que é fácil, já tudo ou quase tudo foi tentado e nada resultou verdadeiramente.

A questão que se impõe colocar, na eleição interna do PSD e nas legislativas de outubro, é a seguinte: vamos mesmo continuar a tentar aplicar as mesmas receitas e esperar por resultados diferentes?

Mudar implica uma efetiva capacidade de compreensão da realidade que queremos alterar, assumir depois comportamentos que tenham a faculdade de concretizar o desejo de transformação. Para que a mudança efetiva possa acontecer, não basta falar dela, sendo necessário fazer tudo o que se imponha, sobretudo, ter uma vontade férrea de lutar contra o situacionismo, contra todos os situacionismos, novos ou velhos.

É depois preciso um empenhamento de todas as gerações.

Nas revoluções do passado, nas que correram melhor ou pior, sempre esteve envolvida gente de todas as gerações, que souberam manter em comum a vontade para alterar o que sabiam estar mal.

No nosso partido, ultimamente, temos verdadeiramente discutido os problemas do distrito? É óbvio que não.

No distrito de Castelo Branco, temos tomado posições claras sobre o que queremos para a região e para o país? Também não.

Temos estado ao serviço das pessoas e da região ou perdemos normalmente mais tempo com questões e trincas internas?

Temos sido coerentes quando somos poder e oposição?

Os cidadãos lá fora sentem que estamos mesmo a lutar pelos seus interesses, ou às vezes perdemos demasiado tempo com os nossos, pessoais e corporativos?

Todos os militantes da “J” e do PSD sabem as respostas, mesmo que a alguns incomode verbalizá-las.

A sociedade portuguesa mudou muito nas últimas décadas, em Portugal e no Mundo e nós não nos temos conseguido adaptar. É tempo de fazer essa mudança, tendo de ser óbvio que não somos todos capazes de a concretizar do mesmo modo.

É aliás dos livros que os “instalados” e os “conformados”, costumam “fugir dela a sete pés”.

É tempo de discutir ideias nas eleições internas e não apoios. As disputas pelos apoios não nos angariam votos lá fora, as ideias, essas sim, podem voltar a fazê-lo.

Nas últimas europeias tivemos 21,48% dos votos. Caso os resultados se venham a repetir percentualmente nas legislativas, o PSD elegerá apenas um deputado no distrito de Castelo Branco. O PS, três.

Para isso não suceder, se o PS mantiver a mesma percentagem dos 39,1%, teremos de subir 4,62% para eleger o segundo deputado. Só com credibilidade, criatividade e trabalho o conseguiremos fazer.

Quando votamos, dentro e fora do partido, semeamos. Umas vezes coisas boas, esperança, vontade de mudar, responsabilidade. Outras vezes plantamos “diferente”, revolta, taticismo, desmazelo, preguiça ou conformismo.

Colhemos, no entanto, sempre do que semeamos.

Vocês saberão se um partido pode singrar sem discutir ideias, sem liderar socialmente.

É tempo de fazer o difícil porque, do fácil, já tudo foi experimentado e nada verdadeiramente resultou.

Alguns até poderão acreditar que é mais cómodo “pensar com a cabeça dos outros” e fazer o que eles lhes pedem de sorriso nos lábios e com uma palmadinha nas costas.

Obviamente que é muito menos estimulante, sobretudo empobrecedor para o partido, porque muitas cabeças pensam sempre melhor do que poucas, por muito brilhantes que estas sejam.

Com ambição, com trabalho organizado, com respeito, sobretudo com a valorização das opiniões e dos contributos de todos os militantes, o PSD pode voltar a ser grande outra vez no distrito de Castelo Branco.

É nisso que eu acredito.

E aí desse lado, está mesmo disposto a fazer o que é preciso?

Então faça!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *