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Dois anos de nada!

Decorreram na passada segunda-feira em Castanheira de Pera as cerimónias de homenagem às vítimas dos incêndios que, há exatamente dois anos, assombraram este mesmo concelho e seis outros periféricos. As cerimónias tiveram lugar numa igreja da região e puderam contar com a presença de todas as mais altas figuras do Estado, entre elas, Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, António Costa, Primeiro-Ministro e Eduardo Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República.

Não deixa, contudo, de ser curioso que, depois de todas as polémicas de que temos ouvido falar ao longo destes dois anos, através dos mais variados meios de comunicação social, António Costa foque o seu discurso numa hipócrita imperatividade com o lema de “Não esquecer” fundado num caricato “dever de memória” para com todos os que perderam a vida e os seus familiares. Todas estas afirmações, ao invés de demonstrarem solidariedade, representaram sim uma verdadeira falta de respeito e consideração para com quem sofre todos os dias com a perda de entes próximos, casas e propriedades que eram a sua forma de sustento. E por este caminho, que já vai longo, se vai negligenciando um dos princípios-chave do constitucionalismo português, que aponta na direção de um Estado de Direito não só democrático, mas social, indo António Costa montado neste cavalo que tanto coloca a pata no desrespeito como no abandono e falta de apoio.

Donativos que nunca chegaram aos seus destinatários; casas de segunda habitação que tiveram critério de preferência sobre outras que, para além de casas de primeira, eram também de única habitação; barracões que foram transformados em grandes moradias em detrimento de outras habitações que, supostamente, teriam urgência na requalificação. Ora, estamos perante um elenco de situações que pouco coincidem com o discurso de um líder de um governo que vai a “todas”, mas no fim, não vai a nada.

Para acrescentar a tudo isto, dando aquele remate final, a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande e a Infraestruturas de Portugal, SA assinam um protocolo que terá em vista a elevação de um memorial de homenagem às vítimas destes incêndios.

Vamos então resumir: o Estado desmarca-se das suas responsabilidades, a associação criada para defender as vítimas compadece-se e contenta-se com a construção de um memorial enquanto que, no entretanto, quem realmente precisa de ajuda, continua à espera, sem qualquer apoio e sabendo que, apesar de tudo, a vida não espera.

Perante tudo isto, vamos seguir o conselho e “não esquecer”, esperar que “não volte a acontecer” enquanto eucaliptos crescem na berma da nacional 236.

 

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