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Ainda sobre as eleições Europeias…

Desde 1987, que não se registavam valores tão baixos de ida às urnas pelos Portugueses. Na verdade, salvo o ano de 1999 que comparativamente a 1994 a participação subiu ainda que de forma ténue (perto de 4 pontos percentuais), as taxas de abstenção têm vindo constantemente a subir, atingindo valores máximos este ano, perto dos 69%.
Ficámos assim, a menos de 20% daquela que foi a média de participação na União Europeia, pior só mesmo em 1994 em que ficámos a mais de 21% daquela que foi a média Europeia, mesmo assim com uma participação ligeiramente superior.

Os partidos políticos não têm conseguido passar a mensagem da importância que é a participação neste ato eleitoral, sobretudo no que a benefícios nos diz respeito. Para além disso, é notória a desconfiança que os portugueses têm nos órgãos políticos e a falta de sentido de representação. Vivemos uma fase de desencantamento político. Para nós jovens, existe uma importante necessidade de reflexão dos meios convencionais de fazer política. Se tal não for feito, poderá ter implicações claras a médio prazo em Portugal.

Com mais de 379 mil votantes no Continente, mais de 8 mil e 600 no Arquipélago dos Açores o Partido Socialista conseguiu assim eleger mais um deputado do que em 2014, e o PSD menos um. No arquipélago da Madeira a vitória do PSD fez-se com uma diferença de 11 mil votos e mais de aproximadamente 3 mil votos do que em 2014.

O resultado das europeias é claro, derrota em todos os Distritos do País salvo Vila Real, e no arquipélago da Madeira. No arquipélago dos Açores o PS venceu em todas as ilhas. Nada de novo comparativamente a 2014. Não podemos, contudo, esquecer que em 2014, o PSD correu coligado com o CDS, este que teve em 2019 perto de 215 mil votos.
Ora somando os perto de 773 mil votos do PSD com os do CDS daria o resultado de 988 mil votantes, mais 38 mil votantes que em 2014. Vale o que vale.

Na minha opinião esta não foi uma vitória muito maior do que em 2014 para o PS. Mas não deixa de ser uma vitória!

No Distrito de Castelo Branco um jovem social democrata que percorreu milhares de quilómetros para ouvir as populações, para passar a mensagem da importância de uma forte participação eleitoral, para debater políticas pró-europeístas em que a candidata pelo PS (a grande vencedora do distrito imagine-se) nunca apareceu, não conseguiu a vitória, apesar de receber elogios de vários cidadãos mesmo de outros partidos políticos que não o seu. Mesmo com todo o seu trabalho, sabendo que não seria eleito para o Parlamento Europeu, com um triste e atroz corte de financiamento por parte de Rui Rio para estas eleições deixando-o assim refém da sua própria carteira, o resultado foi a derrota.
Não o merecia e tem aqui direito a uma palavra de agradecimento e de reconhecimento da minha parte pela sua motivação, pela sua dedicação e pela sua forma de estar na política. Não ganharam os melhores. Não ganharam as melhores propostas. Ganhou a máquina partidária do PS e a fraca credibilidade que o PSD tem junto da população portuguesa desde alguns meses para cá.

Uma vitória daquele que é o principal partido do governo que tudo tem feito para cativar ora aqui, ora ali, vendendo uma imagem errada com a maior desfaçatez possível.
Um governo de esquerda, que de união cada vez mais notamos que pouco tem, demonstrando um claro fracasso de governação nacional e de congruência partidária de esquerda, com um SNS à beira do colapso, com um número infindável de greves e manifestações, com profissionais como os professores e os enfermeiros desagradados após a sua disponibilidade em tempos difíceis de se submeter ao sacrifício causado pelo caminho que o PS nos encaminhava e encaminhou uma vez mais, continuando ainda com as suas carreiras congeladas.

A manipulação e a ilusão são claras formas de estar deste governo de António Costa. Este que vai aproveitando de forma meramente fácil a falta de oposição clara por parte de Rui Rio ao seu governo, arrecadando ainda acordos com o PSD, (que na maioria nenhum resultado prático trouxeram), após ter realizado um assalto ao poder no ano de mais uma vitória de Pedro Passos Coelho nas eleições legislativas.

Nem com os vários casos de corrupção por parte de reputados militantes, presidentes de câmara ou deputados socialistas, nem com os casos de Tancos, de Borba, nem com a tragédia dos incêndios, nem com a clara manifestação de diferenciação deste governo para trabalhadores públicos e privados, nem, por exemplo, com a carga fiscal a atingir máximos históricos.

Muito menos com os casos de amigos e familiares empregues pela máquina socialista. É praticamente inacreditável que o PSD não esteja mais fortalecido no que a

Sondagens diz respeito.

Na verdade, Rui Rio, preferiu desde o início da sua presidência do PSD, atacar os seus próprios militantes ao invés do inimigo claro o PS. Já o tinha feito no passado quando almejava ser candidato ao partido atacando Pedro Passos Coelho.

A necessidade constante de colagem à esquerda fazem com que o PSD deixe refém uma direita que necessita de um claro líder de oposição, um líder que consiga unir uma direita e que não permita a sua divisão. Em boa hora, o PSD necessitava de uma figura mais determinada, e mais clara no que a posições e ideias tem para a política e futuro do país.

A estratégia que adotou é clara e terá resultados óbvios nas próximas eleições que se avizinham…

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