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Desmontando a Abstenção

O fenómeno da abstenção provoca-me mixed feelings. Reconheço-a como um direito. Mas tenho dificuldade em processar uma abstenção de 69% em eleições que dizem respeito a cada um de nós, portugueses.

Durante o dia de ontem, tive o privilégio de estar numa mesa de voto das 07:00 até cerca das 20:00. Recebi votos de cidadãos de todas as idades. Admirei a alegria e o esforço dos mais velhos que, mesmo já com dificuldades motoras, fizeram questão de marcar presença e preencher o boletim de voto como bem entenderam. O entusiasmo na mesa de voto era tal, que contámos mentalmente uns quantos jovens que votavam pela primeira vez. Lamentámos não ter uma forma de lhes registar aquele momento tão importante. Parabenizamos a sua responsabilidade. E desejámos que continuassem a voltar em todos os atos eleitorais.

Houve quem não soubesse quantas cruzes se deviam por no papel. Mas à mesa não compete dar tal resposta, não é? É da liberdade de cada um fazer o que bem desejarem no boletim de voto. Uma cruz, um poema, uma acusação, um boneco ou nada.

Creio que se cada português que já presenciou uma contagem de votos, partilhasse connosco uma história curiosa, todos iriamos querer votar. Ou pelo menos, ajudar a contar os votos. Há uns anos, um cidadão exprimiu a sua vontade de ver um conhecido ator americano como Presidente da República. E outro preferiu um desenho animado japonês. E como estas haverão outras tantas.

Sim, para mim as eleições têm piada. São uma festa: a festa da Democracia!

Mas há quem prefira uma bola de Berlim com cheiro a maresia ou a Discoteca “Vale dos Lençóis” ao domingo! E não pode abdicar de uns minutos de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos! Tal como não irão abdicar depois, frente a um prato de caracóis ou de uma chávena de café, lamentar o Estado calamitoso de Portugal, as greves constantes, os negócios da “família” governamental.

Já ouvi os mais variados argumentos para a abstenção: “não votei porque não deu”; “não votei porque estava longe (ui, e o voto antecipado?); “o meu voto não vale nada” (na verdade, desta vez, fizeram valer 3 votos a cada um de nós, votantes!).

Apresento-vos agora o meu favorito: “não voto porque os políticos são todos iguais!” – diz a pessoa que não fez ri-go-ro-sa-men-te na-da para dar a volta ao jogo. E não sei se ria ou se chore.

Posso rir porque foi esta premissa que me fez entrar no mundo da política –resolvi entrar para poder apresentar alternativas, para servir os meus pares! Ou posso chorar porque há alguém a dançar em cima das campas dos que morreram para que fossemos livres de escolher. Qual opção devo escolher?

Mais umas quantas reclamações para o rol: o estilo de campanha tem de se adaptar, os candidatos têm de ser mais próximos dos votantes e o voto eletrónico tem de ser realidade em Portugal! Uma estação de voto na sala de estar lá de casa, se faz favor! Outra no café lá do bairro, ao lado da máquina de imperial! Posso acrescentar mais umas? Temos é de deixar de dar por certo o equilíbrio tão frágil do barco da Democracia! Temos é de honrar a nossa História! Temos é de amar verdadeiramente a nossa bandeira!

E perdoem-me um último cliché que vem das redes sociais: “Quem adormece em Democracia, acorda em Ditadura!”. E cá para mim, 69% de Abstenção já é castigo que chegue para o meu país.

É dobrar e colocar na urna. Obrigada e até às próximas eleições!

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