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Beirões de todo o distrito, votem!

 

Ao longo dos últimos meses, percorri milhares de quilómetros, contactei com milhares de pessoas em dezenas e dezenas de eventos. Tive a subida honra de ser candidato a Deputado ao Parlamento Europeu, mas não quis ser um político que aparece só em campanha eleitoral a pedir o voto aos seus concidadãos. Estive sempre próximo, quer como candidato, quer antes, mas agora com uma responsabilidade acrescida. Não estou a ser arrogante quando digo que a campanha do PSD não teve qualquer par ao nível distrital, o que não é uma crítica aos outros partidos, dos quais, ainda assim, se possa ter vislumbrado pouco.

Estou genuinamente feliz. O resultado de domingo pouco importa quando temos a consciência tranquila e demos o nosso melhor. Valeu a pena. Se valeu.

No domingo, decorrem as eleições mais importantes da história da União que nos deu a paz, a solidariedade, as fronteiras abertas, o Erasmus e o fim do roaming. Enfrentamos a ascensão dos populismos, a crise dos refugiados e o desafio das migrações, as alterações climáticas, a reforma institucional da UE e o brexit, que espelha bem as consequências da não participação dos jovens. Não podemos deixar que sejam sempre os outros a decidir por nós, nem que nos digam que somos apenas o “futuro”, porque temos uma palavra muito forte a dizer no “presente”.

Se há algo que me arrependo? Claro. De não ter conseguido debater com todos os candidatos da região. A democracia faz-se do confronto de ideias para chegarmos às melhores soluções. A candidata do PS não apareceu em debates, não fez campanha, não apresentou uma ideia, mas manteve-se nas funções autárquicas que lhe dão um contacto privilegiado com cidadãos e, pior, fazendo-o com um salário pago por todos nós. Mais do que o impedimento legal que tem (as funções ficam automaticamente suspensas quando a lista é entregue no Tribunal Constitucional), é algo que vai contra a ética republicana, o Estado de Direito Democrático e os valores morais segundo os quais todos – independentemente da ideologia – nos devemos reger. Não sei se isto aconteceu por medo, por força das recentes notícias sobre o PS Distrital ou somente por desleixo. Mas não importa. Não deixei de apresentar ideias e propostas por isso.

Segundo a proposta da Comissão Europeia, negociada com o ex-Ministro-candidato-que-quer-ser-Comissário, Portugal perde 7% dos Fundos de Coesão no próximo Quadro Financeiro Plurianual. Não podemos aceitar estes cortes onde perdemos cerca de 1.600 milhões na Política de Coesão e quase 1.700 milhões na Política Agrícola. E custa a acreditar que o Governo tenha aproveitado apenas 34% (66% por cumprir) dos últimos, dos quais desviaram para o litoral a maioria dos fundos destinados ao interior. Precisamos de uma entidade que fiscalize a aplicação destas receitas. As propostas, a meu ver, devem centrar-se na mobilidade, emprego, educação e habitação. Para problemas que parecem intemporais, queremos soluções estruturais. Não podemos deixar cair a bandeira das portagens na A23, a construção do IC6 e IC31, de um aeroporto regional e de um mega campus empresarial. Propomos também um Plano Comum para a Natalidade, o reconhecimento do Estatuto dos Cuidadores Informais de Saúde e o investimento na investigação e tratamento do cancro. Temos um programa exaustivo no combate às alterações climáticas. Rejeitamos a criação de um exército europeu, mas queremos uma política comum de segurança e defesa mais integrada, coerente e ágil. E se quase dois em cada três jovens que estudam no secundário vão trabalhar em profissões que ainda não existem, temos de estar na vanguarda da Revolução Industrial 4.0. Queremos um Conselho Europeu de Inovação que apoie a Economia do Mar, a Inteligência Artificial, a Robótica, a Biomedicina e a Energia. Por fim, e como estamos no distrito mais afetado pelos incêndios de 2017, queremos uma força comum de Proteção Civil. Temos no distrito a última família do país que ainda não foi indemnizada pela catástrofe de 2017. O Primeiro-Ministro não se lembra disto, já que no debate quinzenal afirmou que todas as indemnizações foram pagas. Mas nós não nos esquecemos. O Fundo de Solidariedade da União Europeia atribuiu a Portugal mais de 50 milhões de para responder à tragédia dos incêndios de 2017, onde morreram mais de 100 pessoas. Menos de metade do dinheiro foi entregue às áreas afetadas. O Governo “cativou” mais de 25 milhões de euros para despesas administrativas e serviços do Estado.

Conseguimos, que a aposta do PSD se centre em dois eixos: na juventude e na coesão do território. Temos uma número 2 com 27 anos (a do PS tem 66), com uma realidade similar na região, e dois candidatos elegíveis provenientes do Interior. A Presidente da Distrital do PS – não a sua candidata – escreveu um artigo num jornal local em que fala em quase todos os temas que tenho reiterado ao longo dos últimos meses. Ainda bem que o plágio não se aplica em política e que todos podemos concordar sobre as bandeiras que o PSD tem levantado nestas eleições. Todos juntos seremos sempre mais fortes a defender uma agenda para marcar a diferença, porque, no resto da Europa, as regiões transfronteiriças são tradicionalmente as mais ricas. Em Portugal, são as mais pobres. Temos esse problema agravado no distrito, com quatro dos dez concelhos mais envelhecidos do país e três da própria Europa.

Até agora, não tenho pedido a ninguém que vote no PSD. Se o fizerem, que seja por convicção e acreditarem nas nossas ideias. Mas peço, sobretudo, que todos exerçam o direito de voto. Não podemos desperdiçar algo que tanto nos custou a conquistar. Beirões de todo o distrito, votem!

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