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O regresso às raízes

Como Max Weber afirmava em 1980, na época primordial da formação de partidos, não se podia fazer uma distinção muito clara entre partidos aristocráticos e grupos políticos que se desenvolviam em ligação com o poder crescente com a burguesia, isto porque as fontes de financiamento eram as famílias nobres e a coroa de então. Para além de haver este problema de distinção, formava-se outro problema na superfície desta nova realidade, sendo esse problema o facto de que os grupos políticos não tinham livre arbítrio ou qualquer tipo de liberdade de escolha uma vez que tinham que seguir as ordens de quem lhes dava o patrocinato. Bom, se calhar torna-se mais simples entender este problema dizendo que uma mão lavava a outra: os nobres forneciam as fontes de financiamento e os grupos ofereciam em troca a sua liberdade de escolha, tornando-se assim em marionetas nas mãos dos patrocinadores.

Bom, creio que neste ponto já se consegue relacionar o título, o parágrafo introdutório e (infelizmente) a nossa realidade política. E não meu caro leitor, não me estou a referir apenas à situação que acordou o país para este tema, ou seja, não me estou a referir à situação familiar do nosso governo de esquerda; muito pelo contrário, estou sim a referir-me a esta regressão às épocas primordiais que a política no nosso país decidiu fazer.

Não é só o Partido Socialista, nem o Bloco de esquerda, nem mesmo só a Coligação Democrática Unitária que têm escândalos destes ou que podem estar sujeitos a tais atrocidades. Também nós que estamos do outro lado do espectro político estamos sujeito a estes malefícios. Também nós Social Democratas, também o Partido Popular e todas as variantes de direita estão sujeitas a estes crimes morais. Não é a política que faz o homem mas sim o homem que faz a política e deste mesmo modo, é também o homem que a envenena com os seus gestos de favorecimento.

Não podemos continuar a utilizar a política como meio de tirarmos proveito para o nosso próprio prazer, chega! Política é o que dita o modo como uma sociedade se deve reger e enquanto continuarmos a olhar para a nossa política como um mero meio para atingirmos os nossos objetivos mesquinhos e pessoais, não há salvação possível perante esta peste que paira no nosso atual governo.

Ainda à umas aulas atrás numa cadeira que eu tenho de Ética, o professor nos perguntava se deveria ou não existir uma lei que proibisse que casos como os que foram encontrados acontecessem e devo admitir que isto fomentou na minha alma uma tremenda raiva por tal ideia. Não é a lei que deve mudar mas sim o modo de as pessoas pensarem! Não podemos continuar no passado, já somos chamados de desatualizados por imensas razões, até no passado o éramos! Enquanto que países por toda a parte da Europa já se encontravam num nível de evolução social e industrial, infelizmente Portugal continuava agarrado às garras do pretérito e demorou sempre a conseguir desapegar-se delas.

Até quando? Até quando vamos deixar que o nosso país seja visto como uma mera província que está em território “espanhol” (como imensos americanos argumentam), como um país de outra época, como um país meramente rural? Não podemos continuar a olhar para os de casa para fazermos o nosso trabalho. A partir do momento em que se assume responsabilidade por um país, o interesse dos indivíduos que nós governamos passa a ser o nosso interesse pessoal. É de facto uma ideologia muito utilitarista mas é assim que deve ser, afinal, isso é a democracia que nós lutamos tanto por defender. É o maior bem comum para o maior número de pessoas.

A nossa hora chegou, chegou a nossa hora de largar o passado e encararmos o futuro de braços abertos.

CHEGA!

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