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Portugueses de Terceira

A criação do Passe Único veio beneficiar milhares de famílias. Em Lisboa e no Porto. Mais em Lisboa do que no Porto. Mais nas grandes áreas metropolitanas do que no resto do país que, para o Partido Socialista, continua a ser paisagem.

O líder do PSD Rui Rio, em declarações à Comunicação Social, dissecou bem este tema, identificando portugueses de primeira (de Lisboa), de segunda (do Porto) e de terceira (restante país).

E, de facto, é este o país que continuamos a ter: a duas (ou três) velocidades, com um governo de quarta ou de quinta categoria e com uma carga fiscal de primeira.

Valha-nos o iluminado Centeno, Presidente do Eurogrupo, ou talvez Pedro Marques, ex-Ministro-candidato-que-quer-ser-Comissário Europeu que, perante as graves privações pelas quais o Interior passa, parece entender mais de queijos do que de fundos comunitários. Na verdade não nos vale nenhum dos dois, nem o primeiro-ministro embrenhado a resolver as questões familiares dos restantes membros do governo.

Mas voltemos à vaca fria: Passe Único e suas consequências práticas. Há Comunidades Intermunicipais a ter de suportar parte destes custos e, agora sim felizmente, a reforçar serviços como o “Transporte a Pedido”. Isto porque o Estado Central não sabe fazer o seu papel básico na redistribuição de riqueza e continua a iludir a população com o alargamento de condições ao restante país. Sempre que ouvirem este argumento, sintam-se na música “Bem longe, num sonho meu” dos Anjos e apalpem o bolso das calças já roto de tanto procurar uma moeda.

Visto que no Programa de Apoio à Redução Tarifária a despesa já passou 32 milhões de euros além do previsto, parece-vos verosímil acreditar que alguma vez este Governo nos vai equiparar ao restante país?

António Costa espalha dinheiro por cima das áreas com mais eleitores. Esperto, mas não mais atento do que um português que conta os tostões dia-a-dia. Não se dispõe a compensar-nos pela parca oferta em termos de transportes públicos. Não se digna a lutar sequer pela diminuição do valor das portagens no Interior. Insiste ainda em castigar todos com um obsceno Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos.

«Por ter nascido em Angola, fui rotulado de “branco de segunda”. Essa tão iluminada condecoração, dada pelo provincialismo reinante no colonialismo português.» (publicado em 18/03/2010 pelo blogue Aventar).

Há uns anos que o outro senhor caiu da cadeira. Hoje em dia, António Costa esforça-se bastante para reacender a centelha da desigualdade sem sair de Portugal. Triste mas já não surpreendente. E de um populismo e laxismo desmesurados.

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