Blog

Manifesto de uma Jovem Autarca

Não sei se isto não passa apenas da minha forma tão “juvenil” de olhar para a política portuguesa atual, ou se se trata apenas de uma forma idílica de classificar a mesma, dado o curso que frequento e aquilo que estudo. Porém, cada vez mais me sinto numa situação de desagrado total com a nossa estrutura democrática, em que para a nossa voz se fazer ouvir tem que ser sempre por meio de terceiros; em que para se ganhar as eleições basta ter-se bons contactos de bastidores e basta ter o dom da palavra para poder levar a multidão a votar em meia dúzia de promessas falhadas logo a partir do momento em que saem pela boca do seu orador; não há uma boa gestão dos recursos disponíveis pois só se olha para os objetivos utópicos e não para os meios usados; é sempre a voz da maioria que é ouvida, enquanto que cada vez mais as minorias se vêm num beco sem saída, onde as paredes todos os dias andam uns centímetros para dentro.

Parece que hoje em dia tudo é perdoado pois trata-se de “um processo democrático”. Mas será que democracia significa ignorar a voz de uns em deterioramento de outros? Será que é mesmo com estes falsos compromissos que o país avança? Será que é mesmo a fazer mil promessas durante a campanha que o país sai da sua pequenez característica?

Ainda no outro dia durante uma aula de literatura política, estivemos a falar do que autores dos anos de 1700 (veja-se à quantos anos não foi já) achavam que um bom político deveria fazer e o que não deveria fazer, o que era moralmente aceite e o que não era e afins. A verdade é que, passados séculos, a estrutura da política atual mantém-se a mesma. Não estará já na altura de nos comprometermos a sério e fazermos mudanças sérias naquilo que rege a nossa sociedade?

Por favor não interpretem isto como um manifesto liberal ou como um discurso de revolução. Interpretem sim como um desabafo cansado daquela que sempre sonhou com um país mais evoluído do que aquilo que ele é atualmente. É que é muito bonito ouvirmos que a economia cresceu durante este ou aquele mandato; que fulano tal recebeu um prémio pelo seu esforço e dedicação numa determinada área ou até mesmo que um novo projeto foi aprovado com a finalidade de melhorar a qualidade de vida, mas será que é só isso que interessa? Não está já na altura de a política que é feita todos os dias, unir mais do que divide? De representar porções maiores daqueles que não têm voz ativa do que daqueles que só querem embolsar mais uns trocos ao fim do mês? De fazer algo mais do que simplesmente acusar outras bancadas parlamentares, daquilo que nós também já fizemos noutro mandato?

Está na hora de se fazer política de forma ativa. De incentivar os mais novos a lutarem pelo seu amanhã. De não generalizar o que não é uma verdade universal. De verdadeiramente haver uma preocupação com as tristes realidades comuns. De deixar de haver conflitos de interesses pessoais mas sim de interesses comuns.

Viva a política universal e não pessoal!

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *