Os incêndios florestais ou as catástrofes “ditas naturais” sucedidas no ano de 2016 na ilha da Madeira, uma das regiões mais afetadas pelos incêndios em Portugal Continental, fez despertar o Governo Regional para a aplicação de medidas mitigadoras aos incêndios florestais. O que mais uma vez comprova o dito pensamento à Portuguesa de que “Nada de mal nos vai acontecer, em Portugal isso não acontece”. Claro que acontece! Aconteceu em 2016, aconteceu em 2017 devastando a nossa região, todo o Pinhal Interior e continuará a acontecer enquanto não forem tomadas as medidas necessárias (medidas de prevenção, sensibilização e mitigação de riscos).
Existe uma grande falta de sensibilidade e de preocupação por variadas etapas do ciclo de emergência, nomeadamente na prevenção ou mitigação de riscos, que são conhecidos, na preparação para a atuação caso esses riscos se manifestem, na fase de alerta das populações, pois estas muitas vezes não estão preparadas, nem consciencializadas dos riscos a que estão expostas e por vezes ignoram os avisos e os alertas emitidos pelas entidades competentes.
Muito para além de preparar os agentes de Proteção Civil é necessário preparar os cidadãos e consciencializá-los para os riscos que correm e como proceder perante os mesmos. Temos de transpor a bonita e sonante frase: “Somos TODOS Proteção Civil” do papel para a realidade. E como fazemos isso? Chegando junto das populações, sensibilizando-as, irmos “nós” Proteção Civil até elas, informando-as das vulnerabilidades dos seus territórios. Este é o primeiro passo a ser dado para que a “dura” e trágica realidade que atinge todos os anos o nosso país possa ser combatida.
Nós não temos riscos apenas em junho, julho, agosto e setembro. Os riscos estão presentes todos os dias e é disso que os cidadãos se esquecem, que o Governo se esquece.
Muito caminho ainda há por trilhar, muitas lições ainda estão por aprender, temos de agir e não de reagir. Deixemos de ter memória curta! Não é assim que chegaremos a bom porto, de forma alguma.
Primeiro prevenir e preparar, por exemplo começando por passar definitivamente as competências mais “micro” para as autarquias, que são as que melhor conhecem o território e as suas agentes. Seguidamente apostar num planeamento sólido e operacional e não apenas numa “resma” de folhas de papel.
Muito para além de responder é necessário mitigar e essa possibilidade está ao alcance de todos. Todos os dias somos “bombardeados” por informação e somos chamados à responsabilidade, basta fazer uma correta seleção da informação para assumir conscientemente a nossa responsabilidade. Responsabilidade de ser um cidadão ativo e participativo! Só assim, juntos, podemos fazer a diferença e dar um verdadeiro sentido à frase “SOMOS TODOS PROTEÇÃO CIVIL”.
