Inacreditável, será a melhor palavra para começar a descrever o verão de 2017 e ainda só vamos a meio de agosto, um dos piores de sempre. Este apenas se assemelha ao fatídico verão de 2003, em que a área ardida atingiu os 425.839 hectares. No que concerne a contornos trágicos este ano já contempla a maior tragédia do passado recente do nosso país, aquela que vitimou 64 pessoas no incêndio de Pedrogão Grande.
Sendo o distrito de Castelo Branco um dos mais afetados, mais especificamente toda a região do Pinhal Interior Sul, onde tem sido atingido nos últimos dias o Concelho de Vila de Rei, o incêndio lavrou com grande intensidade e muitas aldeias foram evacuadas, obrigando os seus habitantes a deixar as suas casas.
Mas quando estamos perante uma catástrofe, como esta que assola o nosso país, será que não haverá culpas para atribuir? Será que todas as estratégias utilizadas foram as corretas?
Quem infelizmente acaba por experienciar tal situação, e se apercebe que a maior parte dos meios parecem ser fantasmas, que estes só atuam segundo ordens vindas da capital, e vêem quem conhece o “terreno” a quer fazer algo e não poder, cria em si uma enorme revolta e indignação. Parece que estão reunidas todas as condições para que existam Incêndios incontroláveis, que dizimam tudo aquilo que lhes aparecer na frente.
E no final quem iremos culpar? Talvez ninguém, pois não se sabe bem quem. Como diz o ditado popular: A morte deixa sempre uma desculpa!
Após a tragédia o legislador prepara-se para avançar com uma nova reforma no denominado Direito Florestal. Mas para compreender o que se passa com a floresta em Portugal, temos de recordar a sua evolução. No nosso território a florestação dá-se já tarde e de forma muito acelerada, com o criação do Decreto-Lei de 24 de Dezembro de 1901. Na segunda metade do século, o abandono da agricultura devido ao êxodo rural, leva também a um progressivo abandono da floresta.
O pequeno proprietário não consegue obter a rentabilidade económica compensatória do investimento que é exigido na manutenção e gestão da floresta. Levando a que Portugal fosse o único pais do Sul da Europa a perder área florestal, entre os anos de 1990 e 2015.
Há assim uma necessidade de adequar as estratégias de gestão florestal, às mudanças das características sociais, económicas e ambientais. Passando por novas políticas florestais, não deixando de lado o pequeno proprietário, mas sim criando condições para este obtenha alguma rentabilidade na manutenção e gestão da floresta.
As Zonas de Intervenção Florestal poderão ser o futuro, isto se o nível de burocratização diminuir, para permitir uma maior facilidade no acesso.
Mas ficará a dúvida, se apenas isto será o suficiente, se pelo menos ajudará, ou se teremos também de olhar para a forma como encaramos e atuamos neste tipo de tragédias.
